As Ordens Menores

Conforme Pontificale Romanum, antes das ordenações sagradas a Igreja vai dando aos candidatos ao sacerdócio funções próprias do estado clerical, herdadas desde longa data pela Igreja. Aqui falaremos somente do ostiariato, leitorato, exorcistato, acolitato e subdiácono.

O OSTIARIATO

O ostiariato é a ordem pela qual é comunicado a poder especial de abrir e fechar as portas da igreja, de tocar os sinos e de abrir o livro ao pregador da palavra divina. A necessidade de um porteiro existe em qualquer casa pública. Por si, para este serviço, pode ser escolhida qualquer pessoa fiel. Mas é costume que o quartel militar seja guardado por um militar, o edifício da polícia por um policial, o arsenal da marinha por um soldado marinheiro. É, portanto, conveniente que a casa de Deus seja guardada por um homem de Deus, por uma pessoa consagrada a Deus. É ele que tem de admitir os fiéis e de excluir os indignos.

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Da instituição de ordem especial para as funções do ostiário temos a primeira notícia pelo Papa Cornélio na sua carta a Fábio de Antioquia (por volta de 251). O ofício de tocar os sinos é mencionado no século XIII. É serviço muito honroso convidar o povo cristão, “para invocar o nome do Senhor” (Pont.), para adorar á Jesus Cristo na missa e oferecer à SS. Trindade, junto com o sacerdote, o sacrifício de louvor, de agradecimento, de expiação e de petição. Tocando os sinos, ele é o mediador das bênçãos que se derramam pelos sons santos dos sinos santos sobre a comunidade cristã, a proteção contra o demônio, alegria santa nas festas e o anúncio de um novo dia para a honra do Altíssimo.

Deve abrir e fechar a sacristia. Lá se guardam as alfaias da igreja, os paramentos e a roupa santa do altar. Está-lhe confiado o cuidado de conservar tudo em perfeito estado, de cuidar das hóstias e do vinho que o acólito ou subdiácono tem de apresentar ao sacerdote. Deve guardar os livros usados nas funções litúrgicas. Antigamente eram mais preciosos que hoje, escritos com muita paciência e arte e encadernados ricamente. Mas tem um encargo ainda mais honroso. Deve abrir o livro ao pregador. Pode, portanto, contribuir para a pregação do santo evangelho, concorrer para a glorificação de Nosso Senhor, para a propagação da fé, para a salvação das almas.

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A matéria e a forma. A ordenação do ostiário se faz entregando-lhe o bispo as chaves, as quais constituem a matéria. A forma são as palavras do Bispo proferidas neste ato: lembram-lhe como tem de dar conta a Deus pelas coisas que são fechadas com estas chaves. A virtude característica do ostiário é o zela pela casa de Deus. Deve zelar pela casa material (igreja visível. Pont.), para que nada se perca dos objetos pertencentes à igreja. Maior cuidado deve empregar pela casa de Deus espiritual (casa invisível. Pont.), as almas, os corações dos fiéis, fechando-as ao demônio pelas palavras edificantes e exemplo de piedade, e abrindo-os para Deus. (Pont. P.)

Estas obrigações confiadas ao Ostiário, ainda que pareçam de pouca importância, encerram, todavia, a beleza, a excelência e a sublimidade da vocação eclesiástica. Por este primeiro grau de ordens menores fica o clérigo obrigado a romper com a vida profana, e o sacerdócio só virá consagrar definitivamente esta vocação de separado, ligado especialmente ao serviço do altar. Esta ordem deve servir para criar no coração do seminarista um grande amor à casa de Deus e ter por grande glória poder habitar em Sua casa, como o menino Samuel, que vivia no templo, nele era educado e nele servia o Senhor noite e dia.

O LEITORATO

O leitorato é a ordem pela qual é comunicado o especial poder de ler a escritura sagrada ao que faz o sermão, de cantar as lições na missa e no santo ofício, e de benzer pão e todos os frutos novos. (Pont.) Depois de o clérigo ter dado à Igreja prova de sua fidelidade em guardar a casa do Senhor e seus tesouros, recebe um depósito de valor ainda maior , a Sagrada Escritura, que deverá ler no templo de Deus.

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O poder de benzer pão e frutos novos, era dado desde o século IX-X. As fórmulas se acham no Ritual. (VIII c. 15 e c. 17.) Não é bem conhecido o motivo por que o leitor foi encarregado desta bênção. Talvez porque estava de posse dos livros que continham as fórmulas da bênção.

A matéria do leitorado é o livro que contém a sagrada escritura, por ex., o Missal, o Breviário, a Bíblia. Pela entrega do livro com a forma prescrita lhe são conferidos os poderes mencionados. A forma são as palavras do bispo: “Recebei este livro e sede leitores da palavra de Deus, etc.” A sua virtude característica é a santificação própria pela fé viva, manifestada na vida exemplar e celestial. Como devem ler em lugar alto, a fim de poderem ser vistos e ouvidos por todos, assim se devem esmerar em alto grau pela virtude, a fim de edificar os fiéis pelos quais são vistos e ouvidos.

Como quando Jesus, na sinagoga de Nazaré, tomou na mão o texto da Sagrada Escritura e leu um trecho do profeta Isaías, o leitor substitui no seu ministério o Verbo humanado, proferindo as palavras do Verbo Divino. Encargo muito honroso e útil as almas.

EXORCISTATO

Na exortação inicial da cerimônia o bispo indica os três poderes com os quais são encarregados os exorcistas, de expulsar os demônios, de mandar sair da igreja os não-comungantes e de ministrar a água nas santas funções. O ofício do exorcista é poder espiritual, pois deve expulsar os espíritos maus. É poder geral, porquanto pode usá-lo em favor de católicos, acatólicos e excomungados. O exorcistato, é o ministério pelo qual o candidato recebe o poder de expulsar os demônios, no entanto, tal poder só pode ser exercido depois da ordenação sacerdotal e com permissão do senhor Bispo. A licença é obrigatória para o exorcismo solene tal qual está no Ritual. Não é necessária, no entanto, a licença para o exorcismo privado, que pode ser bastante eficaz.

Não é só no caso dos possessos que o demônio é, particularmente, de temer. Muito mais o é na vida de todos os dias. Ele está em toda a parte, emboscado, invisível, mas ativo: no quarto, junto da cama ou da mesa de estudo; na rua, no passeio, na própria capela, no decurso de um ofício ou e uma oração… E, pelo fato de ser invisível, não deixa de ser mais perigoso, sempre pronto, onde quer que esteja, a reatar o diálogo, que tão bom resultado lhe deu no paraíso terreal.

Enquanto que no ostiariato o clérigo encarrega-se da igreja e no leitorato toma a seu cuidado a sagrada escritura, pelo exorcistato começa o seu ministério em favor das almas e dos corpos dos fiéis, recebendo poder sobre os demônios.IMG_3720

Nosso Senhor muitas vezes procedeu como exorcista, célebre exemplo foi quando expulsou sete demônios de Maria Madalena. (Durandus L. II c. 6.)

Matéria e forma. O poder desta ordem é conferido pelo bispo, que entrega o livro dos exorcismos: o ritual ou o missal. A esta matéria, da ordem o bispo acrescenta a forma dizendo: “Aceitai este livro, gravai as suas fórmulas em vossa memória e recebei o poder de impor as mãos sobre os possessos, etc.”

Admoesta, portanto, o bispo ao novo exorcista que tenha presente na memória, quer a graça da ordenação e os deveres dela resultantes, quer as palavras do exorcismo.

A virtude característica que o bispo pede a Deus para o exorcista é a mortificação, a virtude da fortaleza, a força de imperar aos vícios, e a força de imperar aos demônios, mas em primeiro lugar o domínio sobre si mesmo, de ser médico especialista das almas.

O ACOLITATO

Acólito quer dizer servidor, ministro, pela qual o candidato recebe bênção especial para ajudar na Santa Missa e se aproximar do altar. O primeiro ministro do sacerdote é o diácono, o segundo o subdiácono. Mas a necessidade de mais auxiliares para o serviço do subdiácono levou à criação de novos ministros, que receberam o nome de acólitos.

Dos múltiplos ofícios antigos a Igreja hoje confere só uma parte aos acólitos: de servir de ceroferário, de acender a luz na igreja, preparar o altar para o sacrifício e de apresentar o vinho e a água na missa.

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As ordens antecedentes não davam o direito a aproximar-se do altar; o acólito é um privilegiado. Com esta Ordem a Igreja recorda ao acólito, que seria indigno deste ofício, se não soubesse oferecer-se a si mesmo em sacrifício a Deus por uma vida de mortificação contínua. O Acólito está unido ao altar e ao sacerdote que celebra, formando com ele uma só pessoa na oblação da santa missa; assim deve procurar maior pureza em seu coração para poder participar com mais abundância dos frutos de tão augusto sacrifício.

Por isso a matéria é dupla: o castiçal com uma vela apagada para acendê-la, e a galheta vazia para enchê-la. As formas são as palavras do bispo ao entregar os objetos da matéria.

Na oração final o bispo pede a Deus que conceda aos acólitos como virtude característica a piedade iluminada pela ciência. (A luz da ciência e o orvalho da piedade, Pont.). Não só levem a luz visível nas mãos, mas espalhem também uma luz invisível pela sua vida exemplar. Sejam pela sua vida castíssima um vivo sacrifício, a fim de serem dignos de levar vinho e água para o sacrifício divino do altar.

 

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