O Advento do Senhor

Pode, por ventura, viver o amante, aquele que ama, sem o seu amado? Poderá viver a esposa amante sem a presença do seu amado? Com certeza não, pois o amor, diz a Sabedoria, é forte como a morte. Por isso clama a Igreja e clamará sem cessar por todos esses dias, até o Natal, ao seu divino Esposo: vem! Assim também nós, com nossas almas enamoradas, com os nossos corações embebidos no amor precisamos clamar e clamar sem cessar: vem Senhor Jesus! Pois, o que seria de nós longe do Senhor? O que seria da nossa vida sem Aquele único que pode dar sentido à nossa vida porque é a Vida? “A Vida era a luz dos homens e a Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”, então a triste consequência: o mundo permanece nas trevas, sem luz, sem vida.

O clamor, o grito da Igreja é por Vida, é por Luz, é por Salvação! O nosso clamor ardente deve ser por Vida, por Luz, por Salvação: “Ad te levavi anima mea!” “Ostende nobis Domine misericórdiam tuam et salutare tuum da nobis!” Que as nossas almas neste tempo de “Advento” possam viver uma profunda nostalgia de Deus, uma verdadeira sede de Deus; que os nossos corações anseiem por salvação, por misericórdia, por amor.

Com a Igreja que clama: vem! Precisamos viver nesse tempo um tríplice “advento”: um passado, um presente e um futuro. Um advento histórico, um advento presente em cada coração, um advento final e consumador de todas as coisas.

Celebrar o Advento é rememorar com os patriarcas, com os profetas, com todo o povo eleito de Deus do Antigo Testamento a vinda do Messias Salvador. Reviver com eles e como eles uma profunda sede de salvação, porque o mundo sem a Redenção é um mundo perdido, decaído e dominado pelo mal. Contudo esse “advento passado” e histórico que culminou em Belém com o nascimento do Menino Deus, não é e não pode ser simplesmente passado, porque uma ação tão poderosa como a obra redentora não cabe nos limites de um tempo ou de um simples momento histórico. Mas porque é infinita abarca toda história humana e por isso se faz “advento presente” nas nossas vidas, na nossa história, em cada coração. Cristo vem hoje, agora, nesse momento histórico com a sua graça nos salvar, nos redimir e por isso nos alerta o Apostolo: é hora de estarmos acordados, bem despertos como quem caminha à luz intensa do dia. Viver o advento presente, viver a graça, viver da graça salvadora e redentora de Cristo nos prepara para “último advento”, o final, para o Reino eterno do Messias. E esse, apesar da consternação e confusão que nos alerta o Senhor no Evangelho não nos deve colocar medo, mas ao contrário: “levate capita vestra!” Com prontidão, de cabeça erguida devemos clamar e desejar a Parusia, como os primeiros cristãos, desejar a derrota definitiva do mal e o triunfo final e eterno do Messias com o seu Reino de paz de justiça e amor.

Que as três grandes figuras que a Liturgia desse Tempo nos apresentam nos acompanhem para bem vivermos o “tríplice advento”: com o grande Profeta messiânico Isaías, vivamos uma profunda sede de Salvação; escutando as profundas e duras advertências de conversão do Precursor João Batista, abramos sempre mais nosso coração para a graça de Cristo; e que a Virgem Santa Maria, aquela que viveu com plenitude todos os “adventos” e é figura escatológica da Igreja nos acompanhem todos os dias até a consumação dos séculos. Amém.

Pe. Renan Damaso Menezes

Uma opinião sobre “O Advento do Senhor

  • 2 de dezembro de 2018 em 17:35
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    Deo gratias. Tempus Adventus pretiosior est quam multi fideles putant.

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